No quintal da casa dos meus avós maternos havia seis laranjeiras – havia…, porque entretanto o local onde se encontravam foi dizimado por mais uma via rodoviária, em nome do “progresso” – que davam umas laranjas maravilhosas e das quais se fazia o melhor sumo de laranja que bebi, não era demasiado doçe, nem demasiado amargo. Estas árvores forneciam laranjas para a minha familia durante as estações da primavera e do verão. Lembro-me das tardes quentes que eram refrescadas com um sumo de laranja bem gelado. Lembro-me de ajudar a apanhar as laranjas e a espremelas num objecto de vidro branco, com uma forma, que parecia existir desde sempre e que a única coisa que pretendia, era cumprir a sua função de forma muito discreta. Este objecto ainda hoje é utilizado na minha familia, e o meu filho de 3 anos consegue, de forma intuitiva, utilizá-lo.
Apesar de não conhecer o fabricante, ou responsável pelo seu projecto, é para mim um objecto representativo do bom design. Nunca está presente, mas quando é preciso aparece e cumpre a sua função intemporal.